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Pesquisador do CDTN e Membro do INCTSpinNanoMag  recebe prêmio internacional por contribuição pioneira

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Prêmio reconhece trajetória de Waldemar Macedo para a comunidade internacional na área de física aplicada

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A espectroscopia Mössbauer é uma técnica nuclear aplicada à investigação de sólidos, com uso em áreas como física, química, biologia e ciência dos materiais. Macedo foi fundador do Laboratório de Física Aplicada (LFA) do CDTN e utiliza a técnica desde os anos 1980 em pesquisas sobre magnetismo, nanomagnetismo e caracterização de compostos de ferro e estanho. Um diferencial do grupo é o uso de ferro enriquecido com 95% do isótopo 57Fe como sonda isotópica — abordagem sofisticada que permite mapeamento seletivo em profundidade de filmes finos, interfaces e nanoestruturas multicamadas, sendo dominada por poucos grupos no mundo. A técnica também ganhou notoriedade por ter sido utilizada nos rovers Spirit e Opportunity da NASA para comprovar a existência passada de água em Marte. O anúncio do título ocorreu durante o ICAME & HYPERFINE 2025, realizado em Gdansk, Polônia. Macedo é o segundo brasileiro e o terceiro latino-americano a receber a honraria. Em 2025, foi o único representante da América Latina entre os seis pesquisadores premiados. Mesmo após sua aposentadoria em 2024, o pesquisador segue atuando como colaborador do CDTN, orientando doutorado e contribuindo com o Programa de Pós-Graduação. Também é professor visitante sênior na Universidade Federal de Ouro Preto, onde poderá colaborar para a reativação do laboratório Mössbauer da instituição. Além disso, mantém cooperação científica com grupos nacionais e internacionais, incluindo universidades da Espanha, Holanda, Peru e Polônia.

O pesquisador Waldemar Augusto de Almeida Macedo, do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) e Membro do INCTSpinNanoMag, recebeu o título de IBAME Fellow, concedido pelo International Board on the Applications of the Mössbauer Effect, em reconhecimento à sua contribuição pioneira na aplicação da espectroscopia Mössbauer ao estudo de nanoestruturas magnéticas.

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Artigo de Jorge A. Guimarães, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

A garantia de orçamentação nos órgãos públicos implica na clara demonstração às autoridades superiores, responsáveis pela formulação orçamentária, da existência de ações compromissadas que demandam garantia de recursos para o cumprimento da missão institucional da instituição perante a sociedade. Ou seja, o segredo garantir avanços é a capacidade contínua de gerar demandas futuras em linha com a missão institucional do órgão, tendo como base um planejamento da geração de demandas antecipadas (GDA) como fazem as instituições do setor privado. Na ausência de demandas geradas e previamente compromissadas com os usuários, fica muito difícil discutir o orçamento futuro em cima da hora e na ausência da existência de ações futuras já comprometidas. No caso da ampla área de CT&I, isso é cada vez mais válido para as agências de fomento às atividades de pesquisa científica e tecnológica que requerem um financiamento antecipadamente planejado e compromissado. Tendo em vista o retardado desenvolvimento do país, o papel central do segmento científico se torna cada vez mais necessário visando não apenas à manutenção das ações atuais, mas também à sua contínua ampliação para subsidiar a perspectiva de desenvolvimento do país.

O lançamento pelo Governo, em boa hora, de um programa visando à reindustrialização do país, onde a maioria dos assuntos face aos desafios científicos e tecnológicos à vista dizem respeito à ciência e especialmente à inovação tecnológica, torna ainda mais atual a necessidade de usar a tática do planejamento e geração de demandas de reais compromissos antecipados.

Neste sentido, a existência dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), vinculados ao CNPq oferecem a perspectiva da tática do planejamento da geração das demandas antecipadas, possibilitando sua necessária ampliação com financiamento adequado para o presente e para o futuro. As características operacionais dos INCTs requerem elevado grau de autonomia para o bom gerenciamento de suas atividades de pesquisa científica e inovação tecnológica. Tal condição é sobejamente oferecida pelas Organizações Sociais (OS) com legislação específica que garante operacionalidade centrada na agilidade, flexibilidade e operação desburocratizada, inclusive na contratação de novas pessoas para reforçar o quadro original do INCT usualmente vinculado às universidades e outras ICTS, sem tais características. A demonstração viva dessas vantagens é já possibilitada hoje aos centros de pesquisa do MCTI como o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Instituto Mamirauá, que são OSs com amplo reconhecimento do elevado desempenho de suas missões. A operação como OS prevê contratos de médio e longo prazos assinados com o governo que são verdadeiramente compromissos antecipados mediante um planejamento compartilhado, no caso entre o CNPq e os INCTs.

A evolução dos INCTs para OS não interfere com a vinculação dos seus pesquisadores às suas instituições originais, mas oferece a perspectiva de crescimento do quadro existente pela contratação imediata, se necessária, de novos pesquisadores. Desnecessário mencionar a importância disso para frear a perda de nossos jovens pesquisadores. Fica aí a sugestão. Certamente serão necessários ajustes para efetivar a evolução do modelo de operação dos INCTs como OSs do CNPq.

*O artigo expressa exclusivamente a opinião do autor

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